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| Calçada de ladrilhos de 1910 na entrada lateral do Museu Cruz e Sousa, na Praça XV. |
Míriam Santini de Abreu, - jornalista
A nossa "Pesquisa de percepção pública sobre as calçadas de Florianópolis" teve 108 respostas. Fizemos uma pergunta específica sobre qual é a calçada mais bonita. Uma das respostas apareceu assim: “Calçada não precisa ser bonita, mas sim possível de caminhar com segurança”.
Incrementei a pergunta: qual é a calçada mais bonita e bem-feita? Outra resposta: “Nenhuma me chama a atenção para ser considerada bonita. Mas Bonita não deveria ser o adjetivo para uma calçada, talvez eficiente, isso sim”.
Fiquei pensando no assunto.
O Código de Trânsito Brasileiro define “calçada” como “parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins”. É uma definição técnica que não abraça um corpo e seus sentidos caminhando na calçada.
Philip Anthony Gold, na Nota Técnica “Melhorando as Condições de Caminhada em Calçadas”, diz que a qualidade da calçada para pedestres pode ser definida e medida principalmente em termos de três fatores: fluidez, conforto e segurança.
Sim. Mas por que prefiro subir a Hermann Blumenau e depois descer a Dom Joaquim e a Trompowsky para chegar na Beira-mar Norte e evitar a todo custo a poeirenta e barulhenta Mauro Ramos? Por que prefiro a Hercílio Luz à José Jaques para percorrer o trecho de casa até o serviço? As calçadas onde piso ali são todas mais ou menos sofríveis, mas o que muda? O entorno. O abraço nos sentidos. Verde de praça, criança brincando, cheiro de pão novo na padaria, cumprimento de conhecidos, sorriso de desconhecidos. Eu subo a Hermann Blumenau para aspirar cheiro de jasmim ali na esquina da Trompowsky com a Almirante Alvim.
Mas pesquisas não capturam isso. Melhor seria ter perguntado: “Onde você gosta de caminhar?”
Mas eu quero falar de uma calçada realmente bonita. Um trecho de uma velha calçada de ladrilhos de 1910 na entrada lateral do Museu Cruz e Sousa, na Praça XV. Quantas vezes a enxerguei, mas não a vi? Ontem eu a vi.
Que posso dizer? É funcional tecnicamente falando? Não sei. Mas é bonita!

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